Prudência, conselhos
À falta de um grito morre um burro no atoleiro.
A gente conta o milagre, mas não diz o nome do santo.
Apanhar a cinza e derramar a farinha.
Brigam as comadres, descobrem-se as verdades.
Burro que muito zurra pede cabresto.
Cachorro cotó não passa pinguela (cotó; com a cauda cortada).
Deixa-te estar, jacaré
Que a lagoa há de secar
E quando ela estiver seca
Quero ver você nadar
Rio Preto há de dar vau
Até cachorro há de passar.
Dinheiro na mão de pobre é como cuspe em ferro quente.
Em festa de jacu, inhambu não pia.
Em rio que tem piranhas, jacaré nada de costas e macaco toma água de canudinho.
Em terra onde não há onça, veado escaramuça.
Falar sem pensar é atirar sem apontar.
Fazer a broa maior que a boca do forno.
Foi cuspir no canguçu detrás da moita: provocar (canguçu: onça. Guimarães Rosa, Sagarana).
Forma untada é que solta o bolo.
Galinha vesga cedo procura o poleiro.
Mede-se a água conforme o fubá.
Onde tem onça, macuco não pia.
Palavra fora da boca é pedra fora da mão.
Pancada de vara não faz caju ficar maduro.
Para bom entendedor piscada de olho é mandado.
Por causa de um vintém, se gastam cem.
Porco velho não se coça em pé de espinho.
Poupar vintém para perder pataca.
Quem com cães se deita, com pulgas se levanta.
Quem não pode com mandinga não carrega patuá.
Querer matar cuandu com a bunda (cuandu: porco-espinho).
Água passada não toca monjolo.
Antes burro que me leve que cavalo que me derrube.
Barco de muitos mestres dá na costa.
Boi sonso é que arromba o curral.
Burro velho não toma freio.
Canta o abade, responde o sacristão.
Cavalo de cachaceiro conhece caminho de bodega.
De promessas quem vive é santo.
Descobrir um santo para cobrir outro.
É andando que cachorro acha osso (Guimarães Rosa).
É capando touro que se tem boi manso.
É em águas turvas que se apanha o bagre.
Em roçado queimado é que se planta.
Em tempo de guerra não se limpam armas.
Farinha é que levanta parede.
Laranja madura em beira de estrada, ou é azeda ou é bichada.
Laranjeira azeda não dá laranja-lima (Monteiro Lobato, Urupês).
Marrada de vaca velha não derruba marruá (marruá: touro bravio).
Merda seca não pega em cu lavado.
Ninguém faz trança em rabo de burro bravo, o que mata é coice de burro manso (Dráuzio Varella, Carcereiros).
No frigir dos ovos é que a manteiga chia.
O boi pega no arado, mas não por seu grado.
Para burro velho, capim novo.
Pato cagou, é dia.
Pé de galinha não mata pinto.
Pedra que rola não cria limo.
Pela amostra se conhece a chita.
Pela andadura da besta se conhece quem monta.
Por morrer um caranguejo, o mangue não bota luto.
Praga de urubu não mata cavalo gordo.
Quando a água abaixa é quando se vê quem está pelado.
Quando a cana abaixa, o dono se levanta.
Quando a carroça anda é que as melancias se ajeitam.
Bruaca com carga se ajeita (bruaca: bolsa ou mala de couro usada para carregar mantimentos e cargas em montaria).
Quem nasceu para dez-réis, não chega a vintém.
Quem tem medo de careta é sagui.
Saúde e paz: o resto a gente corre atrás.
Só o tempo cura o queijo.
Sogro rico e porco gordo só dão lucro quando morrem.
Sossego de homem é mulher feia e cavalo capado.
Tatu velho não se esquece do buraco.
Tempo é remédio.
Burro velhote não acerta o trote.
Todo caminho dá na venda.
O boi é que sofre, o carro é que geme.
Orvalho não enche poço.
Uns paus nascem para santos, outros para tamancos.
Viúva jovem e rica, com um olho dobra, com o outro repica (dobra-se o sino grande e lento nas cerimônias fúnebres; repica-se o sino menor e mais rápido nas celebrações).